A importância da brincadeira

Brincar é algo que faz parte do desenvolvimento infantil. Através da brincadeira a criança desenvolve sua coordenação, inclusive a fina, a linguagem, comunicação, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e outras habilidades sociais.

Para uma criança com TEA o brincar pode ser muito difícil e limitada pois a criança pode querer brincar sozinha, alinhar objetos, mover-se entre dois pontos. 

Através de intermediação e estruturação do jogo as atividades lúdicas podem ser ensinadas as crianças com TEA.

 

Como o autismo afeta o jogo

A primeira tarefa é desenvolver a atenção conjunta, ou estabelecimento de vínculo. Atenção conjunta significa que tanto o adulto quanto a criança estão fixos na mesma coisa ao mesmo tempo, experimentando a mesma reação e consciência de que ambas as pessoas estão envolvidas.

Crianças, principalmente as menores tendem a evitar compartilhar espaços, pois sentem-se desconfortáveis.

É importante que os pais entendam que inicialmente a brincadeira conjunta pode causar um sentimento de ansiedade e que a criança tente evitá-lo, mas também é importante que os pais não levem isso para o lado pessoal. Experimente começar compartilhando o espaço por apenas alguns segundos e a medida que a criança comece a perceber que pode ser divertido, vá aumentando o tempo gradativamente.

Perceba e se possível registre os momentos que a criança está mais acessível e receptiva e aproveite para mostrar que a comunicação significa muita coisa.

Como promover a interação por meio da brincadeira?

Admitir que precisa e pode ser ajudada é o primeiro passo. É essencial que o cuidador conte com a ajuda da família, amigos, profissionais e até mesmo vizinhos. Mesmo que sejam mínimos esses momentos, evitam que o cuidador se sinta desamparado. É recomendado que sejam definidos dias e horários em que ele poderá ter uma folga para cuidar de suas próprias questões ou ter tempo livre, mas isso não deve ser eventual, precisa fazer parte da rotina.

 

Algumas ideias:

1. Incentive seu filho a tocá-lo e dê uma resposta atraente. Por exemplo, pedir que a criança coloque o pezinho em seu nariz e dizer “uhmm, que chulé!”. É possível que a criança goste e queira repetir várias vezes.

2. Quando estiver fazendo uma brincadeira ou jogo que ela gosta pare e faça uma pausa. A pausa vai fazer com que a criança gesticule ou use palavras para continuar.

3. Brincar de “Achou” ou esconder o rosto entre as mãos e cada vez que revelar fazer uma careta diferente.

4. Dançar juntos.

5. Além disso também podem ser usados balões, bolhas de sabão, brinquedos de causa e efeito, blocos (você pode construir e pedir para a criança derrubar, eles costumam gostar), quebra-cabeças e o uso de alguns aplicativos como a plataforma Emíllia podem ajudar nessa aproximação

Para um adulto brincar pode ser um pouco estranho e muitas vezes você pode até não lembrar ou saber como conduzir atividades estruturadas. Aumentar seus conhecimentos em como brincar ajudará nas interações com seu filho e será gratificante para ambos.

Referências

Autism Awareness Centre Inc.; The Importance of Play for Children with ASD, BENNIE, M, 2020.
Disponível em: https://autismawarenesscentre.com/the-importance-of-play-for-children-with-asd/
Acesso em: 23/02/2021

Raising Children Network (Australia) Limited; Structured play: new skills for children with autism spectrum disorder, 2020
Disponível em: https://raisingchildren.net.au/autism/school-play-work/play-learning/structured-play-asd
Acesso em: 23/02/2021

BOWEN, M; Learning to Play…Playing to Learn. CYMRU AUTISM;
Disponível em: http://old.wrexham.gov.uk/assets/pdfs/social_services/asd/28161_autism_play_lflt.pdf
Acesso em: 23/02/2021