O que é o TEA?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é definido segundo o DSM-5, 2013 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e comportamento (interesse restrito e/ou movimentos repetitivos) que tipicamente se iniciam nos primeiros anos de vida. Mas como cada indivíduo experimenta esses sintomas pode ser muito diferente.

O TEA é chamado de espectro devido sua abrangência, diversidade de níveis de comprometimento e comorbidades. Por esse motivo tem como símbolo o quebra-cabeças.

Os sintomas se apresentam antes dos 3 anos de idade, podendo ser realizado um diagnóstico precoce com o especialista nos primeiros 18 meses da criança.

Tenha em mente que receber o diagnóstico de autismo não significa receber uma sentença. Obter o diagnóstico o quanto antes pode ajudar pais e cuidadores a aprender o que precisa para ajudar sua criança a desenvolver suas potencialidades

 

 

 

Inverdades sobre o autismo

Frequentemente escutamos ou presenciamos fatos que nos levam a acreditar em algumas inverdades sobre o autismo. Vou colocar aqui algumas delas, mas acredite, a lista é extensa e você deve ficar atento para não cair nessa armadilha:

• Autistas não tem sentimentos: Autistas tem sentimentos assim como qualquer pessoa, o que pode ser diferente é a forma de demonstrar.
• Autistas não se comunicam: Autistas se comunicam, podem ter dificuldade ou não oralizar, ou dificuldade em estabelecer diálogo, mas sim, são capazes e se comunicam em diversas outras formas. É importante buscar o estabelecimento desta comunicação
• Autistas não interagem: Autistas interagem, não da mesma forma, mas buscam por interação, querem ter amigos, estudar, trabalhar. O que muitas vezes acontece é a dificuldade de interagir dentro dos padrões das regras sociais.
• Autistas não fazem contato visual: Autistas conseguem fazer contato visual, mas pode ser difícil permanecer nele. Este contato visual pode ser difícil para qualquer pessoa incluindo neurotípicas.

Cuidado com os falsos julgamentos e principalmente ao julgar que porque alguém se comunica, estuda, trabalha ou namora ela não é ou não pode ser autista.

Importante lembrar que independente do diagnóstico a pessoa deve vir sempre em primeiro lugar: a pessoa autista, a pessoa cega ou a pessoa surda e que cada sujeito é único em seus comportamentos e atitudes, e no TEA também é assim.

Para cada um, existe um caminho diferente de desenvolvimento. Portanto, os olhares devem ser voltados para as potencialidades do indivíduo, ou seja, tudo o que esta pessoa é capaz de fazer ao invés do que ela não é capaz.

 

 

 

Potências e possibilidades

O TEA é um leque muito grande que vai desde o autismo clássico, algumas vezes não verbal e com muitas estereotipias até o chamado autismo de alto funcionamento, nomenclaturas que fazem sentido no aspecto médico, mas não para nós.

São nomenclaturas que geram expectativas equivocadas de que a criança é muito inteligente ou ao contrário, que não é capaz de aprender nada, e que podem ser muito frustrantes sejam pela carga de exigência ou desmotivação.

O chamado espectro quer dizer que são muitas pessoas diferentes, mas que apresentam alguns comportamentos em comum e algumas demandas em comum. Os caminhos são múltiplos e é muito importante conseguir acessá-los.

A pessoa não “é” o nível do espectro, ela “está” naquele nível e com o apoio necessário pode desenvolver habilidades que ainda não tem. O importante é focar nas potências dos autistas como por exemplo na memória, ou então no longo tempo em uma atividade que lhe chama atenção, que podem ser utilizadas no desenvolvimento de habilidades em todos os campos e não somente ligadas ao cognitivo.

Não existe receita pronta, mas os estímulos devem ser constantes e a educação deve ser inclusiva pois assim como os caminhos as possibilidades também são múltiplas!